sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Oi, oi, oi





Acharam que eu tinha sumido?!?!?1 nãããão, tô aqui
Bom, hj vou contar uma pequena passagem de minha vida que acho legal compartilhar com as pessoas, afinal, são imensuráveis os ensinamentos que podemos tirar dessa história.
Bom, há alguns anos atrás morávamos em Viamão, mas especificamente, no bairro Stella Maris, ou seja, conseguem imaginar um lugar esquecido pelo mundo, pois é, é lá.
A rua é de chão batido e o saneamento básico ainda é uma utopia.
Nosso escritório ficava na Rua do Parque, aqui em Poa (outro lugar tbm não muito atraente), bom, não tínhamos carro, pegávamos o ônibus às 18:00 na Farrapos para ir para casa, o Gu tinha uns 2 aninhos, era início de verão.
Como pegávamos o ônibus às 18:00 fazíamos parte da maioria da população que tbm pega ônibus neste horário e, confesso que sempre tive a impressão que todas as pessoas com idade em 0 e 200 anos que trabalham moravam exatamente no mesmo local que eu e pegavam exatamente o mesmo ônibus, exatamente no mesmo horário!
Ocorre que, naquele dia eu estava extremamente insuportável, sim, tudo pra mim estava ruim, eu estava resmunguenta e chata, isso mesmo, um pé no saco... Lembro muito bem que eu reclamava pq tinha sol, pq estava calor, pq tinha que pegar ônibus e por aí vai.
Chegamos na parada, um calor do cacete... eu com o Gu no colo e toda a mudança que uma mãe carrega quando tem filho pequeno na creche.
Ao chegar na parada disse ao Fofis:
- Aposto que essa m... de ônibus vem lotado e que não vai ter um fdp pra levantar e me dar o lugar!
O Fofis com toda a paciência que Deus lhe deu, responde:
-  Calma coração, não faz assim, desse jeito tu atrai coisas ruins...
Adivinhem o que aconteceu?! Chegou o ônibus com 1.000.000.000 de pessoas dentro e.... claro, ngm levantou pra eu sentar!
E, "vamo simbora no busão"! Depois de uns 20 minutos me equilibrando e já pedindo perdão a Deus por ter reclamado tanto o dia inteiro, uma boa alma se penaliza com a minha situação e me dá o lugar pra sentar.
Depois de mais ou menos 1h e 30m de viagem estamos quase chegando, descíamos a duas quadras de casa e, quando descemos já era noite escura e do nada, mas do nada mesmo, começou um temporal daqueles de matar afogado tudo que tivesse menos de 1,50mt de altura!
Resumindo, estávamos nós na chuva, o Gu com tosse da bronquite, eu (como de costume) de sapato de salto, correndo pra casa tendo que descer o beco aquele sem asfalto e sem saneamento. Detalhe, o beco era lomba abaixo, mas lomba abaixo mesmo, não era lombinha, era lombão.
Na metade do caminho, parece mentira, mas juro a vcs que é a mais pura verdade, acaba a luz!
Agora estamos na chuva, com cria, periquito e papagaio e sem enxergar um palmo na frente do nariz!
Mas, vamos embora, eu a essas alturas já chorava e pedia perdão até pro Papa.
Chegamos em casa, entra correndo, tira as roupas molhadas, arruma o Gu, aquece a cria pra não piorar a tosse, etc, etc, etc. Quando concluímos o etc, volta a luz graças a Deus, porém, o dia ainda não tinha terminado rsrsrsrs
O Gu tomava mamadeira com Mucilon e, o Fofis tinha feito a última mamadeira e esqueceu de me avisar que o Mucilon tinha acabado! E agora??? caraca, dar o quê pra cria tomar?!?!?!?!
Bom, achei um resto de aveia e pensei: - "Vai isso mesmo."
Só que aveia tem que cozinhar e, quando coloquei no fogo o que aconteceu???? hahahahaha, pode rir, pq só rindo mesmo.... acabou o gás!!!!!!!!!!!!
O Fofis me olha e diz assim:
- E agora?
Ao que eu respondo quase mordendo ele:
- Não sei, sai porta afora e dá um jeito de voltar com um botijão de gás!
Ele conseguiu, foi na mãe dele que morava na frente e trouxe o único botijão que ela tinha em casa!
Quando aprontamos a mamadeira do Gu nos olhamos, rimos muito e dissemos um ao outro quase que instantaneamente:
-"Vamos deitar logo antes que a casa caia!!!!"
Bom meus amores, acho que são muitas as lições que podemos tirar dessa história.
Entretanto, eu gostaria de deixar a minha sugestão de reflexão a vcs.
Mesmo com toda essa "tragédia", com isso tudo acontecendo em uma época que as nossas vacas estavam esturricadas de tão secas, não nos deixamos abater, não deixamos que nada disso tirasse o brilho do nosso amor, o companherismo que nos uniu, não deixamos que nada disso abalasse os carinhos que sempre trocamos, o tesão que nos faz tremer.
Guardem isso. Não tem preço e nem pode ser medido ou calculado o valor e a importância que é termos um "corpo amigo" (corpo é mais que mão e ombro né!) pra dividir conosco o peso da mochila!
Bjokas carameladas
Lisi

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